A
Se a criança está inserida num ambiente familiar socioculturalmente baixo vai ter provavelmente mais dificuldades em desenvolver a linguagem, e consequentemente mais dificuldades na aprendizagem escolar.
Aos 2 anos de idade, uma criança não tem capacidade de ter uma conversa, a menos que um adulto a envolva nessa conversa. Por exemplo, se a criança de 2 anos atender o telefone só terá a capacidade de dizer “olá” e “adeus”. Pelo contrário, uma criança de 4 anos já consegue desenvolver uma conversa e, pegando de novo no exemplo do telefone, a criança já terá a de antecipar a despedida, dizendo “bem, tenho de ir”. Com isto, podemos concluir que há uma grande evolução na capacidade de conversar entre os 2 e os 4 anos.
Um dos aspectos essenciais do desenvolvimento pragmático é o de sabermos utilizar a linguagem de acordo com o contexto, como por exemplo a idade da pessoa a quem nos estamos a dirigir. Aos 4 anos a criança já faz distinção entre falar com crianças da idade dela ou com crianças mais novas. No segundo caso, elas fazem ajustes semelhantes aos dos adultos, entoação mais marcada, mais repetições, frases simples, entre outros. No caso de estarem a dirigir-se a alguém mais velho, só por volta dos 6 anos é que alteram a forma de falar, falando com mais educação, enquanto as crianças mais pequenas dirigem-se a um adulto como a uma criança da idade delas.
Outro aspecto importante do desenvolvimento pragmático é a capacidade de fazer pressuposições, isto é, antes de falar, fazemos uma selecção daquilo que é relevante dizer para que a outra pessoa nos perceba. À medida que vão crescendo, vão desenvolvendo cada vez mais esta competência e aos 3 anos já são capazes de trocar a ordem das palavras numa frase de modo a destacarem alguma coisa. Até aos 7 anos as crianças ainda têm dificuldades na comunicação referencial. Por exemplo, se tiverem que explicar alguma coisa a alguém vão sempre partir do princípio que o outro tem as mesmas informações que ela e que por isso vai percebê-lo.(Shaffer,2005,pag.366)
Baseado no trabalho de grupo desenvolvido por Helena Neiva, Sara Silva, Susana Pereira e Telma Cunha (ESE, IPP, no ano lectivo 2010-2011)"
O presente blogue tem como objectivo dar a conhecer todas as componentes fundamentais da Psicologia da Educação e da Psicologia do Desenvolvimento.A informação é baseada na leitura que faço da bibliografia sugerida na Unidade Curricular de Psicologia do Desenvolvimento e da Educação leccionada pela docente Sílvia Barros na Escola Superior de Educação do IPP. Alguma informação é baseada em trabalhos de colegas de curso e como tal estão devidamente identificados. Espero que gostem(=
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domingo, 2 de janeiro de 2011
Desenvolvimento Semântico
Estima-se que uma criança com 2 anos já tenha adquirido o significado de 450 palavras, mas isso não implica que as pronuncie como um adulto.
Já uma criança quando atinge os 6 anos espera-se que já tenha adquirido cerca de 4500 palavras. Depois do período dos 2 anos admite-se que a criança consiga guardar cinco a nove palavras por dia.
As crianças com idades entre os 2 e os 5 anos começam a entender e por conseguinte também expressar contrastes de relações, como distinguir o alto do baixo, o grande do pequeno e o antes e o depois.
Por norma, as palavras grande e pequeno são de início os primeiros adjectivos espaciais usados na especificação de relações que a criança utiliza na sua linguagem mais complexa.
É através destes dois adjectivos, e com mais ou menos dois anos e meio, as crianças começam a fazer conclusões normativas, por exemplo, um ovo de 10 cm é maior em relação a outros ovos que a criança possa ver (Ebeling e Gelman,1988/94, referido por Shaffer (2005)), podendo também fazer inferências perceptivas, por exemplo, um ovo de 10 cm colocado ao lado de um ovo ainda maior é perceptível, por parte da criança, que é mais pequeno.
As crianças com mais ou menos 3 anos começam a utilizar termos para fazer julgamentos funcionais como por exemplo, começam a avaliar o tamanho de uma roupa de boneca que é pequena em comparação à roupa que ela, criança, veste e dessa forma muito grande para vestir a sua boneca.
As crianças embora expressando-se correctamente com menos de 4/5 anos, erram ainda semanticamente ao nível das construções passivas. Consideremos a frase “O menino foi magoado pela menina”. As crianças do pré-escolar imaginam o menino a magoar a menina. Elas supõe que o primeiro substantivo seja o agente do verbo e o segundo se refira ao objecto. Elas consideram desta forma uma frase activa. Isto acontece porque as crianças ainda não possuem a capacidade cognitiva para entender construções passivas mais complexas.
Já uma criança quando atinge os 6 anos espera-se que já tenha adquirido cerca de 4500 palavras. Depois do período dos 2 anos admite-se que a criança consiga guardar cinco a nove palavras por dia.
As crianças com idades entre os 2 e os 5 anos começam a entender e por conseguinte também expressar contrastes de relações, como distinguir o alto do baixo, o grande do pequeno e o antes e o depois.
Por norma, as palavras grande e pequeno são de início os primeiros adjectivos espaciais usados na especificação de relações que a criança utiliza na sua linguagem mais complexa.
É através destes dois adjectivos, e com mais ou menos dois anos e meio, as crianças começam a fazer conclusões normativas, por exemplo, um ovo de 10 cm é maior em relação a outros ovos que a criança possa ver (Ebeling e Gelman,1988/94, referido por Shaffer (2005)), podendo também fazer inferências perceptivas, por exemplo, um ovo de 10 cm colocado ao lado de um ovo ainda maior é perceptível, por parte da criança, que é mais pequeno.
As crianças com mais ou menos 3 anos começam a utilizar termos para fazer julgamentos funcionais como por exemplo, começam a avaliar o tamanho de uma roupa de boneca que é pequena em comparação à roupa que ela, criança, veste e dessa forma muito grande para vestir a sua boneca.
As crianças embora expressando-se correctamente com menos de 4/5 anos, erram ainda semanticamente ao nível das construções passivas. Consideremos a frase “O menino foi magoado pela menina”. As crianças do pré-escolar imaginam o menino a magoar a menina. Elas supõe que o primeiro substantivo seja o agente do verbo e o segundo se refira ao objecto. Elas consideram desta forma uma frase activa. Isto acontece porque as crianças ainda não possuem a capacidade cognitiva para entender construções passivas mais complexas.
- Crianças bilingues
Quando existem crianças que nascem em famílias que falam duas línguas, de início utilizam elementos de ambas as línguas, quando mais pequenas até na mesma frase. Esta situação denomina-se como mistura de código.
No entanto um estudo com cinco crianças com 2/3 anos, afirmou que as crianças de famílias bilingues diferenciam as duas línguas, como por exemplo, se o pai for francês e a mãe inglesa, a crianças falará predominantemente língua de cada um quando junto deles estiver (Gemsee/Nicoladis e Paradis, 1995, referido por Shaffer (2005)).
Este fenómeno denomina-se por mudança de código.
No entanto um estudo com cinco crianças com 2/3 anos, afirmou que as crianças de famílias bilingues diferenciam as duas línguas, como por exemplo, se o pai for francês e a mãe inglesa, a crianças falará predominantemente língua de cada um quando junto deles estiver (Gemsee/Nicoladis e Paradis, 1995, referido por Shaffer (2005)).
Este fenómeno denomina-se por mudança de código.
Baseado no trabalho de grupo desenvolvido por Helena Neiva, Sara Silva, Susana Pereira e Telma Cunha (ESE, IPP, no ano lectivo 2010-2011)"
Desenvolvimento gramatical
Fonologia
Dentro do desenvolvimento fonológico, pode-se distinguir: percepção da fala e produção da fala.
Depois de as crianças atingirem as 50 palavras as suas produções tornam-se mais complexas. No final desse período já são capazes de produzir quase todas as consoantes e as combinações de consoantes e vogais (excepto o “r” e o “z”, alguns grupos de consoantes – “transbordante” e ditongos.
A partir dos 4 anos, ocorrem avanços importantes no ajuste morfofonológico e também na necessária modificação das raízes das palavras ao conjugar os verbos.
Perto dos 5/6 anos, as crianças começam o desenvolvimento metafonológico, que terá uma enorme ligação com as habilidades de leitura e de escrita.(Shaffer, 2005 pag.362)
Morfologia
Desenvolvimento dos Morfemas Gramaticais
Morfemas gramaticais são modificadores que oferecem um significado mais preciso às frases que nós construímos.
Normalmente, esses modificadores aparecem aos 3 anos, quando as crianças começam a colocar os substantivos no plural adicionando o –s, a significar localizações por meio dos morfemas in e ex, para indicar tempos verbais com os sufixos, por exemplo, ar, eu, o u.
Existem dois tipos de morfemas: os livres e os presos. Os livres são aqueles morfemas que isolados formam uma palavra, por exemplo rei, menino, céu. Os presos são os morfemas que não podem estar isolados, mas que modificam o significado dos morfemas livres. Exemplo: reis, menina, meninos.
Segundo Roger Brown (1973) que gravou a fala de 3 crianças enquanto adquiriam 14 morfemas gramaticais frequentes nas frases em inglês. Descobriu que as 3 crianças variavam consideravelmente em relação:
1) À idade em que começaram a usar marcadores gramaticais;
2) À quantidade de tempo que levaram para dominar todas as 14 regras.
A super – regularização
Dá-se o nome de super-regularização ao fenómeno das crianças, por vezes, “super estenderem” os novos morfemas gramaticais para os casos em que o seu uso pelos adultos é irregular. A super-regularização infantil é relativamente rara. Ocorre apenas em 2% a 5% daquelas ocasiões em que os verbos irregulares são usados (Marcus et al.,1992).
Assim sendo, a super-regularização não é um defeito gramatical, não deve ser desaprendido. A maior parte dos erros ocorre porque as crianças, ocasionalmente, não se lembram da forma irregular do substantivo ou do verbo e então aplicam o novo morfema adquirido para comunicar a ideia que tentam expressar. (Shaffer, 2005 pag.363)
Dá-se o nome de super-regularização ao fenómeno das crianças, por vezes, “super estenderem” os novos morfemas gramaticais para os casos em que o seu uso pelos adultos é irregular. A super-regularização infantil é relativamente rara. Ocorre apenas em 2% a 5% daquelas ocasiões em que os verbos irregulares são usados (Marcus et al.,1992).
Assim sendo, a super-regularização não é um defeito gramatical, não deve ser desaprendido. A maior parte dos erros ocorre porque as crianças, ocasionalmente, não se lembram da forma irregular do substantivo ou do verbo e então aplicam o novo morfema adquirido para comunicar a ideia que tentam expressar. (Shaffer, 2005 pag.363)
Cada linguagem tem regras para a criação de variações das frases declarativas básicas. Se essas regras forem aplicadas a uma frase declarativa, podem transformá-la em interrogativa, negativa, imperativa, relativa, composta...
Entre os 2 anos e os 2 anos e meio, a maioria das crianças começa a produzir algumas variações de frases declarativas. Entretanto, as crianças adquirem as regras transformacionais passo a passo, à medida que aprendem a formular questões, negar proposições e criar frases mais complexas, tal como apresenta de seguida, com base em Shaffer (2005).
- Formação de questões
As primeiras questões feitas pelas crianças consistem numa frase declarativa que a transforma numa questão do sim/não. Durante a segunda fase da formulação de perguntas, as crianças começam a utilizar os auxiliares correspondentes, ou verbos de ajuda.
Por fim, as crianças aprendem a regra transformacional que exige a mudança do verbo auxiliar para a posição anterior ao sujeito, e dessa forma começam a produzir questões semelhantes às dos adultos – “O que o pai está a comer?”
- Produção de frases negativas
- Produção de frases complexas
No final do período pré-escolar, entre os 5 e os 6 anos, as crianças usam quase todas as regras gramaticais da sua língua e falam de modo semelhante aos adultos, mesmo quando nunca tiveram uma aula sobre gramática. (Shaffer, 2005 pag.364)
Baseado no trabalho de grupo desenvolvido por Helena Neiva, Sara Silva, Susana Pereira e Telma Cunha (ESE, IPP, no ano lectivo 2010-2011)"
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